quarta-feira, 11 de agosto de 2010

_cerrado

quisera eu poder saber do que falo
entender as linhas de sentir e bordar.
quem dera meu fosse o riso qu'ora calo
pelo tempo cansado de enxergar.

o que canto agora é pranto de engano
a verdade de mim quero longe.
não mais o certo, nem a roupa ou o pano
quero o espelho, o outro lado, a reza do monge.

quero o ritmo que quebra, assusta, insiste
quero a métrica derramada pelo chão:
espero o tempo que bate à porta e, triste,
hei de abri-la para encarar o que foi paixão.

este que vos escreve é sombra e arremedo.
decidiu testar o quanto suporta a alma,
que venha o feio, o medonho, o sonho, o medo
que venha o mar e seus demônios, nus de calma.

e percorrendo os segredos que não contei
porque a bem da verdade, não existiram.
o antigo eu que fui, enfim, verei
e morrerão os versos que de mim saíram.

chorem, então, é este o fim do poeta;
mas não chorem porque ele terminou.
chorem, sim, pois é esta a última meta.
quando vem a morte, é sinal que o poeta amou.

2 comentários:

  1. Qndo o poeta se vai, deixa a inspiração,
    o sonho do q amou,
    e segue vivo nos seus versos...
    onde a alma derramou!

    lindo!
    bjos

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